Festival Paredes de Coura - Fórum

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Autor Tópico: Barco Rock Fest '09 | 19 a 23 de Agosto | Guimarães  (Lida 6321 vezes)
xanaaa
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« Responder #90 em: Agosto 24, 2009, 03:20:43 »

sim acho eu. lool
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« Responder #91 em: Agosto 24, 2009, 03:44:34 »

coincidencia
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« Responder #92 em: Agosto 25, 2009, 04:20:22 »

Não, não voltou a haver nenhum cargueiro desaparecido por esse oceano fora, nem nada que se pareça. Houve, isso sim, um inesperado protagonista no Barco Rock Fest, um festival de música que tem lugar na praia fluvial de São Cláudio de Barco (Guimarães), e que aspira a tornar-se, já em ano de capital europeia da cultura vimaranense (2012), um festival tão grande como o mítico Paredes de Coura.

O mal-estar instalou-se quando a Guarda Nacional Republicana (GNR), contratada para garantir a segurança no recinto, começou a fazer rondas pelo campismo com cães peritos em farejar drogas. Um dos elementos dos Born a Lion, banda da Marinha Grande que actuou na sexta-feira, foi apanhado com uma quantidade considerável de estupefacientes, detido e, como é estrangeiro, corre o risco de ser repatriado.

É comum acreditar, entre os festivaleiros, que nestes acampamentos tudo é permitido. A verdade, como sabemos, é que não é. Outra verdade, também, é que se em Paredes de Coura, por exemplo, as revistas à entrada e ao campismo fossem minuciosas, mais de 50% das pessoas seria detida ou identificada por posse e/ou consumo de drogas.

Este 'excesso de zelo' causou desconforto entre a organização, que falou em "abuso de autoridade", e entre as bandas que actuaram no sábado, quando o Avenida Central esteve presente no recinto. Saltou logo à vista o dispositivo policial ainda o recinto estava longe. Na rotunda a seguir ao Hotel das Taipas, uma meia-dúzia de viaturas policiais e duas dezenas de agentes tinham montada uma vistosa operação-stop. Dada a hora precoce (22h00), o dispositivo estaria a controlar as idas e não as vindas do festival.

O espaço tem, de facto, muitas semelhanças com o de Paredes de Coura. Situa-se ao lado de um rio (Ave), dispõe de uma praia fluvial, tem igualmente uma ponte a dar acesso ao campismo e várias árvores a ladear o espaço. Frente ao palco, a inclinação é ligeira, ao contrário da acentuada de Coura, mas cá atrás vê-se igualmente bem para os artistas. A filmagem funcionou bem, com várias câmaras a apresentarem imagens dos concertos numa tela enorme, visível da área de alimentação.

É nessa parte, precisamente, que ainda se nota o carácter novato do festival, este ano na sua terceira edição. Pouca oferta, com ementas manuscritas e quase todas semelhantes. É certo que a procura não foi elevada, mas, se fosse, estaria aqui um problema a resolver. Ainda assim, com as expectativas de internacionalização já para o próximo ano, é boa ideia tentar oferecer mais variedade gastronómica aos visitantes do festival, que podem não estar tão habituados à comida portuguesa.

Ouviam-se os últimos acordes dos vimaranenses Let The Jam Roll quando eram cerca de 22h30. Os interregnos para a mudança de bandas foram sempre muito curtos, exceptuando o que antecedeu a entrada em cena dos cabeças-de-cartaz Wraygunn. Acabados de entrar em cena, os senhores que se seguiram, Abandon Mute, demonstraram muita descontracção e à-vontade em palco, bem como vários apontamentos de relevo, mas pecaram por tentar ser mais uma cópia do que uma banda influenciada pelos Muse, facto que se pode comprovar ouvindo a faixa 'Hurricane' (a banda, sediada em Inglaterra, tocou ainda uma versão de Hyper Music, igualmente dos Muse).

Logo depois, chegou o momento do festival, pelo menos para o vocalista e guitarrista dos Smix Smox Smux, Filipe Palas (na foto). Logo após abrirem o espectáculo com "Fim-de-semana", Palas começou um outro show, este não tão musical, onde abordou os incidentes com a GNR já referidos. Não se limitou, porém, a narrá-los, tratando de fazer troça dos elementos da força policial presentes no festival. "Fumem, bebam e vomitem-lhes em cima", foi uma das dedicatórias do claramente ébrio guitarrista. Não se ficou por aqui: chamou "filhos da p*ta" aos agentes, que supôs que se chamavam todos Joaquins e Antónios. O público rejubilava e sentia-se identificado com o músico, o único com coragem para dizer o que muitos pensavam.

Conquistado o público, o concerto foi memorável. Uma ou outra dedicatória à GNR, mais discreta, intrometeu-se até final. O tempo não foi muito (não chegou a meia-hora de concerto), mas o público ficou claramente agradado com a banda, que se destaca mais pelas letras e sonoridade pueril e imaginativa do que propriamente pela capacidade vocal dos seus elementos. No final, a já célebre "Intifada" levou o público ao quase êxtase. Houve também um outro encore, que nem todos viram: os quatro agentes da GNR presentes no recinto dirigiram-se, no final, ao backstage e esperaram o vocalista, que foi identificado, levou um processo-crime e terá de comparecer em tribunal por, supõe-se, desrespeito à autoridade.

Os doismileoito entraram em palco logo depois, nada dispostos a alinhar em mais problemas com as autoridades. Apresentaram vários temas do seu álbum de estreia homónimo, que conta com vários registos interessantes, com boas letras, melodias e, agora sim!, boa voz. Foi um concerto estupendo dos maiatos, que começaram a atrair quase todo o público presente e disperso pelo recinto do Barco Rock Fest.

Entretanto, foi a vez dos poderosos Wraygunn encerrarem o dia. Fazendo menção à ilusão de pensar que Portugal é um país com liberdade de expressão, Paulo Furtado, mais contido nas palavras (assegurou que não ia ser malcriado) lamentou o aparecimento do "Grupo Novo Rock (GNR)" no festival, chegando a lançar suspeitas sobre os comportamentos dos agentes: "Esta música [Drunk or Stoned] pode parecer que é sobre os elementos do Grupo Novo Rock, mas não". Com quase uma hora e meia de concerto, os Wraygunn puseram o público aos saltos, com as habituais excentricidades do carismático frontman Furtado. "She's a Go Go Dancer" ou "Everything's Gonna Be Ok" lançaram a confusão na frente do palco, onde a pequena multidão fez mosh e houve alguns aventureiros a fazer, pasme-se, crowd surfing.

Não estariam mais de 1500 pessoas no espaço, durante a actuação da banda de Coimbra. As expectativas da organização não terão sido atingidas, pois em nenhum momento pareceu crível ser possível igualar, num só dia, as 3700 pessoas que estiveram no festival em 2008 (o objectivo era duplicar esse número). Porém, como Paulo Furtado referiu, Paredes de Coura também já foi, em 1993, um festival "muito pequenino, e agora é um dos melhores da Europa em termos de música independente".

No final da noite, a tenda electróncia animou os resistentes. Palas, que tinha prometido lá ir, não ficou por muito tempo. Estava visivelmente abalado pelo sucedido. A actuação das autoridades marcou, pois, um festival com pernas para andar. Resta ver como irá correr o próximo ano. Potencial não falta, vai é ser preciso criar mais alguns incentivos, porque o público continua a aparecer aos pouquinhos.


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« Responder #93 em: Agosto 25, 2009, 07:15:32 »

ja tinha lido isso:Wink
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« Responder #94 em: Agosto 25, 2009, 08:01:15 »

Ainda bem que comprei uma t-shirt. Daqui a 10 anos vai valer uns milhares :p
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Mr_Black Tie
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« Responder #95 em: Agosto 30, 2009, 05:35:52 »

alguém gosta muito de escrever
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