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Em 1999, o Festival de Paredes de Coura viu a sua linha
alternativa reconhecida pela crítica, ao ser considerado
o melhor. A afirmação desenha-se a cada ano, e a edição
de 2000 reforça o afinco com que a organização gere
os seus gostos pessoais, adaptando-os às exigências
de um público muito especial.
A surpresa deste ano acontece com a fusão propositada
do alternativo com o comercial. Para quem se deixe assolar
pela ideia de conversão, é melhor imaginar que um dedo
não é um braço... Afinal, estes rapazes do interior
não são assim tão distraídos... Sem prostituir as raízes,
ou dar azo a confusões, porque não perverter um pouco
a indefinição óbvia de outros festivais?
O hábito é encontrar cartazes recheados de consumismo
massificante, de onde sobressaem duas (às vezes menos)
bandas que poucos conhecem. Será a fórmula para agradar
a gregos e troianos? Estratégias de marketing, altamente
investigadas, mostram que é possível agradar a todos...
ainda que alguns só acordem lá para as 3 da manhã, quando
os acordes das gigantescas colunas anunciam algumas
variações. Paredes de Coura aposta numa filosofia, no
mínimo, mais didáctica: sem querer agradar a gregos
e troianos, mantém os cartazes e palcos alternativos
e, pelo meio, lança um bocadinho de asticô, como quem
diz bicha para a pesca, como quem diz uma banda mais
comercial, e apanha, por arrastamento, alguns jovens
desprevenidos, como quem educa sem impor.
É que, apesar do "efeito cogumelo", a organização continua
a valorizar a liberdade de escolha.
Enquanto outras Câmaras utilizam os festivais como rampa
de promoção para o concelho, Paredes de Coura já passou
por essa fase... e por alguns anos de prejuízo; enquanto
outros levam ao extremo dos lobbies a conquista de 16
medalhas de ouro, Paredes de Coura investe em pias para
a loiça; e enquanto as necessidades de milhares de jovens,
ainda que nómadas anónimos, forem detectadas a grande
aposta é ultrapassá-las.
Este ano concretizam-se mais alguns sonhos antigos dos
organizadores: Flaming Lips e Mr. Bungle; um festival
de jazz, para além do palco principal e dos alternativos;
estacionamento para 1200 carros, com acesso directo
ao parque de campismo; mais algumas dezenas de chuveiros
e sanitários; um site maravilhoso, funcional e internacionalizável;
e muitos sonhos ainda por concretizar. As águas límpidas
e as trutas renascidas, o sossego da vila e o povo amistoso
merecem ser palco desta iniciativa. Ficou nostálgica
uma senhora de 80 anos, no final da 7ª edição: Foi-se
tudo embora...já não tenho a quem dar couves, nem com
quem falar. Fica o saudosismo da população e o carinho
com que rezingam a estranha adesão que já sentem.
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